Na segunda metade do século XVIII, o mercado de escravos foi deslocado do centro da cidade para a rua do Valongo, transformando o atual bairro da Saúde no coração comercial do Rio de Janeiro escravagista.

   Ali, os escravos foram espancados, obrigados a transportar cargas descomunais, trancados em depósitos insalubres e comercializados. No entanto, foi também ali que o negro, progressivamente, conquistou espaço para seus cultos religiosos, suas rodas de capoeira e seus desfiles musicais, inicialmente, praticados em horários e locais fara do controle colonial, mas depois mostrados pelas ruas de toda a cidade. ]

   Foi exatamente na Zona Portuária que surgiu, depois da Abolição, a "Pequena África no Rio de Janeiro", um ambiente inesperadamente autônomo e peculiar, em que o negro afirmou sua liberdade e recriou sua cultura. Assentada misticamente na Pedra do Sal, a "Pequena África"era uma cidade negra que, empurrada pelo "bota-abaixo" da reforma urbana do início do século XX, se estendeu até a Cidade Nova.


O cd-rom CIRCUITO MAUÁ: SAÚDE, GAMBOA E SANTO CRISTO traz a íntegra do texto "A Presença do Negro no Bairro da Saúde", redigido, especialmente para este projeto, por Roberto Moura (autor do livro "Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro"), além de ilustrações obtidas junto a diversos acervos.





Fotos:
. Escravos africanos de diferentes etnias - obra de Johann Moritz Rugendas, c. 1835 (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro)
. Jogo de Capoeira - obra de Johann Moritz Rugendas (Biblioteca Nacional / RJ)