O Rio de Janeiro, desde os primórdios de sua história, tornou-se uma espécie de capital das inovações: o endereço de novidades e pólo lançador de comportamentos que respingavam do sudeste para o resto do país. Ao longo de boa parte do século XX, esse endereço ficou concentrado em um trecho específico da cidade, inicialmente um grande areal deserto, que depois, e cada vez mais, ganharia o título da mais famosa praia do mundo. Fala-se, é claro, de Copacabana.

    Tudo começou em Copacabana: do banho de mar aos esportes de praia; da descoberta do telão da sétima arte aos primeiros acordes de bossa nova; do rinque de patinação ao cabaré Mère Louise, o mais famoso de sua época, no atual Posto 6, ainda nas primeiras décadas do século. Copacabana trouxe ainda para o Brasil o glamour e a sofisticação do hotel Copacabana Palace, um símbolo incipiente do processo de internacionalização da cidade, e a visita das mais prestigiadas personalidades internacionais, entre atores, atrizes, músicos, políticos, cientistas etc. Trouxe ainda a boemia dos teatros e os grandes shows musicais, com suas vedetes, que deixavam boquiaberto qualquer marmanjo de plantão; a elegância das noites dançantes da Vogue e do Sacha, no auge do glamour carioca; e os novos sabores da cozinha internacional, através de pratos como o picadinho e o strogonoff, que encheram as bocas brasileiras de novos paladares.

    Copacabana é diferente: já nasce moderna e leva a sério esse ofício, desde os tempos em que engatinhava. Cresce e aparece, com todo o vigor, até a década de 1970, quando outros bairros, especialmente Ipanema e Leblon - e depois, a Barra da Tijuca - começam a disputar entre si o título de bairro lançador de moda.

    Mesmo perdendo o seu trono, o bairro ainda hoje mantém sua singularidade. É o local dos contrastes, da riqueza de tipos humanos e comportamentos; do luxo e do lixo.

   Copacabana tem sua luz.