Antes de ser Copacabana, a praia, que no século XX se tornaria a mais famosa do mundo, era chamada de Sacopenapan. Esse nome abrangia a região ao sul da cidade que era considerada "inacessível" para a população e correspondia à área que vai da Pedra do Leme até o início da atual Niemeyer, incluindo a Lagoa e adjacências. O Rio de então pulsava em outras vias, em torno dos atuais bairros do Centro, Tijuca e Botafogo. Mas Sacopenapan tinha um "quê" de paraíso para os viajantes que se aventuravam pelas montanhas e caminhos tortuosos até o areal de vegetação densa, interrompida apenas por algumas cabanas e hortas de pescadores e dos índios tamoios - os primeiros habitantes do "pedaço". Foi nessa imensa praia, que se estendia em curva suave, cortada pelo morro do Inhangá, com suas águas cristalinas e areias bem brancas, cercada por muitos cajueiros, pitangueiras, cactos e freqüentada por preás e socós (ave pernalta que, segundo cronistas antigos, vivia em alagadiços da região), que nasceu Copacabana.

    Copacabana ("mirante azul", em quítchua, dialeto dos incas) foi Sacopenapan ("o barulho e o bater dos socós", em tupi) até o aparecimento, no local, de uma imagem de Nossa Senhora de Copacabana, santa venerada no lago Titicaca, na Bolívia.

    Entre os muitos milagres atribuídos à santa, conta-se o salvamento do bispo D. Antônio do Desterro, em 1746. Durante uma tempestade que atingiu o seu navio no litoral carioca, o bispo fez um apelo à santa e prometeu que, caso sobrevivesse, construiria uma capela no local do naufrágio, bem em frente à antiga igrejinha em ruínas. A promessa foi cumprida, e a praia de Sacopenapan ganhou uma nova capela. A devoção foi se firmando cada vez mais, enquanto multiplicavam-se os fiéis que buscavam, em romarias, a igrejinha de Copacabana, que ficou sobre o promontório do Posto 6 até 1918, quando foi demolida para a construção de uma ampliação do Forte de Copacabana, ali instalado desde 1914.

    A partir da construção da Igrejinha, a história se encarregou de rebatizar a praia, que, até a segunda metade do século XIX, manteve sua natureza intocada. No século XX, porém, Copacabana se tornaria o grande cenário da história da cidade, palco de toda a evolução urbana, de suas conquistas e também de suas mazelas





Você acaba de ler a 1ª das 90 fichas que compõem a seção "O Bonde da História", no cd-rom CIRCUITO COPACABANA. As fichas, redigidas pela jornalista Ana Madureira de Pinho, contam a história do bairro, de Sacopenapan a Copacabana. São elas:

  • De Sacopenapan a Copacabana
  • A Santa do Lago Titicaca batiza o bairro
  • Os primeiros caminhos e as fortalezas
  • O caso das baleias encalhadas
  • O "Cosmorama Histórico" e os primeiros "reclames"
  • Os ingleses do telégrafo
  • A casa de repouso do dr. Figueiredo de Magalhães
  • A primeira banhista
  • O Rio na era dos trilhos
  • "- Faz-se necessário um túnel !"
  • A Estação Copacabana
  • Versinhos cantam as maravilhas de Copacabana
  • Um passeio até Copacabana
  • A "Villa Deodoro" que não aconteceu
  • Ramal da Igrejinha e ramal do Leme
  • Rinques de patinação
  • O primeiro guia turístico de Copacabana
  • Túnel da Carioca, o Túnel Novo
  • A avenida Atlântica
  • Mère Louise, o cabaré da praia
  • "O Copacabana - o novo Rio"
  • Aristocracia e estilo
  • Banhos de mar
  • Achados e perdidos na areia
  • "Abluções salutares" e um copo de leite depois
  • O animado carnaval carioca do início do século XX
  • O "Prazer do Leme"
  • Batalhas de confete e banhos de mar a fantasia
  • Os encontros políticos na casa de Afrânio de Melo Franco
  • Cinemas: Copacabana descobre a "sétima arte"
  • O Forte de Copacabana e o fim da Igrejinha
  • O Forte do Leme
  • O "colar de pérolas"
  • "Os 18 do Forte"
  • Bombeiros, Salva-vidas, Correios, Light&Power
  • Quitandas, leiterias e cafés com salões de bilhar
  • Copacabana Palace: um marco na história do bairro
  • Os glamourosos edifícios de apartamentos
  • O apartamento de Álvaro Moreyra e Eugênia Brandão
  • Prisão de Washington Luiz no Forte de Copacabana
  • A inauguração da estação telefônica automática 7
  • Os primeiros ônibus
  • "Chá dançante" nas tardes de domingo e as "Horas de arte"
  • O morro do Inhangá
  • "- Queremos mais praças e áreas verdes ! "
  • Escândalo !
  • Copacabanense, um ser diferente
  • Esportes na areia
  • O futebol de praia
  • Automóveis disputam espaço com bondes e ônibus
  • O baile de carnaval do Copa e outras festas de salão
  • Copacabana em Hollywood
  • A piscina do Copa
  • Desfiles de carnaval na avenida Atlântica
  • Ilustres visitantes do Copacabana Palace
  • Principais mercadinhos: o Azul e o Amarelo
  • "Já é possível nascer e morrer em Copacabana sem sair do bairro"
  • Verticalização: Copacabana implode
  • Apartamentos tipo "JK"
  • A boemia toma o caminho do mar
  • A praia é de todos !
  • Copacabana dita moda no comércio e nos serviços
  • Duviver, Menescal, Centro Comercial e outras galerias
  • "Várias Copas"
  • Bairro Peixoto
  • Leocádia e outras ladeiras
  • Os pulmões de Copacabana
  • Área e limites - dois bairros em um
  • Duplicação do Túnel Novo
  • Cassinos internacionalizam a noite de Copa
  • Shows nos cassinos
  • Arte e elegância nos shows e musicais
  • Turma dos Cafajestes
  • Turma da Miguel Lemos
  • A noite acontecia nas boates
  • O teatro Copacabana
  • A moda da praia
  • A passarela das beldades
  • O poder em Copacabana
  • Atentado a Lacerda na rua Tonelero
  • Tanques militares em Copacabana
  • O "boom" demográfico
  • Mais dois túneis para Copacabana
  • Alargamento da avenida Atlântica
  • A "Utopia urbana"
  • Favelas e contradicões sociais
  • Pescadores em Copacabana
  • Os endereços da Terceira Idade
  • Copacabana de muitos cardápios
  • O Réveillon do mundo